Relato de uma intensivista pediátrica

Sou intensivista pediátrica e trabalho em uma UTI de trauma no Hugol. Atendemos grandes queimados, afogados, politraumatizados e, diariamente, nos deparamos com as perguntas dos pais: “Doutora, ele vai conseguir andar novamente? Ele gosta tanto de jogar bola”; “Doutora, ele vai conseguir comer normalmente? Gosta tanto de açaí e de pastel de carne”; “Doutora, ela vai conseguir falar? Ela cantava no coral da Igreja”. E assim, em um milésimo de segundo, vem a vontade de desistir e o questionamento se realmente estamos no lugar certo.

Antes de qualquer resposta, somos dominados por uma paz que nos faz focar no paciente e no acompanhante angustiado ao lado dele. Vários artigos científicos passam em nossa mente, porcentagens relacionadas a prognósticos, cálculos de medicamentos, procedimentos invasivos… Todavia, olhando para aquele colorido da equipe, os conflitos de sentimentos vão dando lugar às resoluções mais simples, humanas e de acolhimento. Como num passe de mágica, a empatia vai tomando conta, como um maestro regendo uma orquestra muito bem afinada. Os leitos, antes números, agora têm nomes. Ao invés de dieta, há desejos. Em vez de dor, há uma posição confortável para dormir. No lugar de uma doença, há todo um contexto e uma família. Os números ficam para trás e aquela criança com seus familiares se tornam únicas para nós.

Com carinho, cuidamos daquele pequeno “grande” guerreiro. Nessa hora, nos esquecemos dos nossos problemas, das nossas dificuldades e das nossas dores para simplesmente cuidar integralmente do outro com empatia e amor. As respostas vêm com sentimentos de firmeza e parceria: “Não sei se seu filho voltará a falar, mas podemos trazer a comida que ele gosta”; “Não sei se sua filha vai conseguir respirar sozinha, mas podemos levá-la até o jardim para ver seus avós”; “Não sei se a pele do seu filho ficará boa, mas podemos fazer uma dancinha que ele gosta junto com ele”; “Não sei quando sua filha receberá alta, mas sim, podemos celebrar o ‘mesversário’ dela no leito, com a roupa de borboletas que a senhora tanto sonhou”.

Assim, vamos todos juntos, no meio de tanta dor, espalhando o dom supremo: o amor, amarelo-rosa-laranja-azul, um entrelaçado de cores que faz com que a letra G, usada a priori apenas para dar nome como parte do alfabeto, agora tenha um significado. UTI Pediátrica G, de Gentileza, de Gente humana que cuida, com Gratidão a Deus, de cada paciente, familiar e membro da equipe que nos transforma diariamente. Desejo que a empatia e o amor continuem a nos guiar nessa linda missão. Obrigada.

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