Agir conecta ciência, inovação e longevidade na 7ª Jornada Científica
8 de outubro de 2026
Créditos: Beatriz Cândida Mendes
Fotos: Anderson Fernandes/Diego Nascimento/Rafael Lima/Gustavo Viscal
Evento reuniu especialistas, pesquisadores, profissionais e estudantes para discutir genética, envelhecimento saudável e novos caminhos para a gestão da saúde
Com o tema “Genética, Longevidade e o Futuro da Gestão em Saúde”, a Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir) realizou, nesta quarta-feira (07), a abertura da 7ª Jornada Científica Agir e do 2º Congresso de Envelhecimento Saudável, no auditório da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) e transmissão on-line para as unidades geridas. O evento reuniu profissionais da assistência, gestores, pesquisadores, docentes, residentes e estudantes em uma programação voltada à produção e disseminação do conhecimento aplicado à saúde.
A iniciativa integra a estratégia da instituição, através do Ensino Agir, de estimular a pesquisa, a inovação e o desenvolvimento profissional como instrumentos para qualificar a gestão e o cuidado. Ao promover o encontro entre conhecimento científico e experiência prática, a Agir reforça seu propósito de contribuir para uma saúde mais segura, eficiente, humanizada e orientada por evidências.
Durante a abertura, o superintendente Executivo da Agir, Lucas Silva, apresentou a evolução da instituição ao longo de 24 anos, com novas tecnologias e serviços, mas ressaltou que o propósito de cuidar de vidas segue o mesmo. “Temos um compromisso para tornar esse propósito eficaz e que possa fazer a diferença na vida das pessoas. Com melhores práticas e processos, a Agir sempre enfrenta os desafios para fazer uma entrega de excelência e a inovação nos traz o pioneirismo”, enfatizou o superintendente.
Lucas Silva também destacou o fortalecimento da instituição em outras áreas de atuação, como educação, com o pioneirismo do Ensino Agir há sete anos e, agora, com a Agir Educação. “São novos projetos e novas áreas de atuação, essa é a nossa contribuição para a sociedade. Que possamos aproveitar ao máximo toda riqueza de conteúdo compartilhada”, concluiu.
A palestra magna da 7ª Jornada Científica Agir foi com o médico neurologista, Pós-PhD em Harvard, autor dos livros “Medicina do Amanhã” e do recém-lançado “Cérebros Quebrados”, Dr. Pedro Schestatsky. O palestrante destacou os 10 itens da saúde proativa e ressaltou a influência da alimentação para o desenvolvimento do cérebro. “Comer mal encolhe o cérebro”, reforçou.
Produção e pesquisa em saúde
Um dos pontos altos do evento aconteceu com o lançamento da Revista de Assistência, Gestão, Inovação e Resultados em Saúde, novo periódico científico institucional da Agir criado para incentivar e divulgar produções técnico-científicas nas áreas da saúde, gestão, inovação, educação e pesquisa aplicada.
Para o diretor de Ensino e Desenvolvimento da Agir, J. Antônio Cirino, a revista é fruto do planejamento estratégico, com foco em transformar o cenário da ciência para fortalecer a produção e disseminação do conhecimento científico. “A Revista Científica reflete a jornada de mais de duas décadas da instituição no incentivo à ciência para a melhoria contínua do cuidado em saúde”, enfatizou J. Antônio Cirino.
Genética, longevidade e o futuro da gestão em saúde
O painel “Genética, longevidade e o futuro da gestão em saúde”, moderado pelo superintendente Técnico Assistencial da Agir, Guillermo Sócrates, debateu os impactos do envelhecimento populacional, o avanço da genética, a prevenção de doenças, a tecnologia e os novos modelos de gestão necessários diante de uma população cada vez mais longeva.
Participaram do painel a médica geriatra e professora da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC), Lívia Evangelista da Rocha Aguilar; a doutora em Ciências da Saúde, mestre em Enfermagem e professora da faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás (UFG), Valéria Pagotto; e o pós-doutor em Genética Molecular com habilitação em Genética Médica e Aconselhamento Genético, além de professor na Faculdade de Medicina da UFG, Benedito Neto.
Um dos questionamentos levantados por Guillermo Sócrates foi o envelhecimento da população brasileira, os custos da saúde e a qualidade de vida do idoso. “O desafio não é viver mais, mas acrescentar vida aos anos que estão por vir. Vemos pessoas idosas cuidando de pessoas mais idosas ainda. Estamos conseguindo acrescentar qualidade de vida e funcionalidade?”, questionou.
Ao abordar o papel da genética, Benedito Neto ressaltou que as informações genéticas devem ser analisadas em conjunto com outros elementos que influenciam a saúde. “A informação genética não vai determinar algo pontualmente, mas vai caminhar ao lado de informações que já existem”, afirmou.
O professor também destacou a importância da produção científica para compreender como e para quem os testes genéticos devem ser utilizados. Para ele, o avanço das pesquisas abre novas possibilidades, inclusive para o desenvolvimento de terapias gênicas, mas exige estudos que considerem diferentes contextos e aplicações.
Para Valéria Pagotto, o crescimento da população com mais de 60 anos se relaciona com os principais problemas de saúde associados ao envelhecimento, como a hipertensão arterial e problemas de coluna. Segundo ela, o desafio vai além do diagnóstico de doenças crônicas.
Um dos pontos destacados pela pesquisadora foi o aumento da dependência entre pessoas idosas e o impacto dessa realidade sobre as famílias e os sistemas de saúde. Valéria ressaltou o projeto “Cuidar 90+”, desenvolvido com visitas a unidades básicas de saúde de Goiânia, e relatou a identificação de diferentes perfis de saúde entre essa população. “Chegar a uma idade avançada é muito heterogêneo. Temos pessoas idosas mais jovens e debilitadas, por exemplo. Isso nos traz, também, um desafio no campo da formação”, explicou.
Para a médica geriatra Lívia Evangelista, o cuidado deve começar antes da instalação da fragilidade. “A identificação de pessoas idosas pré-frágeis permite intervenções antecipadas e pode contribuir para reduzir internações e melhorar o gerenciamento do processo de envelhecimento”, ressaltou.
A especialista defendeu ainda uma abordagem integral no cuidado: “Não podemos focar somente na doença que o idoso apresenta. Temos que tentar comunicar entre os profissionais e entender o paciente como um todo”, afirmou Lívia Evangelista.
Premiação reconhece produção científica
Além dos debates, a 7ª Jornada Científica abriu espaço para a apresentação de trabalhos e pesquisas desenvolvidos por profissionais da Agir e pesquisadores externos. Conforme a organização, foram mais de 500 trabalhos inscritos nesta edição. Os trabalhos foram divididos nas categorias Resumo Científico, Jovem Pesquisador ou Pesquisadora, Agir pela Inovação e Artigo Científico.
A premiação reforça uma das frentes estratégicas da Agir de incentivo à pesquisa e à produção de conhecimento, valorizando profissionais e pesquisadores que contribuem para o aprimoramento das práticas em saúde.
Agir fortalece cultura de inovação
Ao reunir diferentes especialidades e perspectivas em torno de temas que impactam o futuro da saúde, a 7ª Jornada Científica Agir reafirma o compromisso institucional com a qualificação contínua, a inovação e a produção de conhecimento.
A iniciativa também fortalece a integração entre assistência, gestão, ensino e pesquisa, pilares fundamentais para enfrentar desafios como o envelhecimento populacional, o crescimento das doenças crônicas e a incorporação de novas tecnologias.
