Outubro Rosa: Crer aborda importância do suporte emocional e inovações no diagnóstico em ações de conscientização sobre o tratamento do câncer de mama
Unidade da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás realizou ações de tira-dúvidas para pacientes e palestra para colaboradores destacando a importância do cuidado contínuo
Em alusão ao mês de conscientização sobre o câncer de mama, o Serviço de Epidemiologia do Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), unidade do Governo de Goiás, promoveu uma série de ações educativas voltadas para pacientes e profissionais. O destaque da programação foi uma palestra realizada no dia 15 de outubro de 2026, no Auditório do Crer, que contou com a presença de cerca de 90 colaboradores.
Com o tema "Um toque pode salvar vidas", o evento reuniu especialistas para discutir desde a prevenção até as inovações no tratamento da doença. A palestra foi ministrada pelo médico mastologista Antônio Eduardo, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, e por Kiane Oliveira Santos, psicóloga especialista em saúde mental, avaliação neuropsicológica, burnout e colaboradora do Serviço de Saúde Mental da unidade.
Sobre ter com quem contar nas horas mais difíceis
Durante a apresentação, a psicóloga Kiane Oliveira Santos ressaltou o papel do suporte emocional clínico durante o enfrentamento da doença. "Já em relação ao apoio psicológico (...) é fundamental, porque o diagnóstico e o tratamento podem mobilizar diversas emoções, como medo, ansiedade e insegurança, além de provocar mudanças na imagem corporal, na autoestima e na forma como a mulher se percebe", detalhou Kiane. "A psicologia oferece um espaço de acolhimento para que ela possa elaborar essas experiências, reconhecer suas necessidades e encontrar recursos emocionais para atravessar esse processo. É compreender que, para além do tratamento da doença, existe uma mulher com uma história, sentimentos e necessidades que também precisam ser cuidadas."
A especialista enfatizou que ter com quem contar nas horas mais difíceis contribui para a saúde emocional e mental da mulher. A psicóloga também conduziu uma reflexão voltada para a identidade da mulher além de suas obrigações diárias. "A estratégia da conversa foi trazer um olhar para além dos papéis que a mulher ocupa no dia a dia, seja como profissional, mãe, esposa, filha ou dona de casa", explicou. Segundo Kiane, a ideia "foi criar um momento leve de reflexão sobre autocuidado, valorização pessoal e sororidade, incentivando essas mulheres a olharem com mais carinho para si mesmas não apenas esse mês, mas o ano todo de forma integral."
Avanços tecnológicos e tratamento personalizado
A palestra também aprofundou, com o Antônio Eduardo, sobre a expressiva evolução tecnológica no diagnóstico por imagem, que hoje conta com ferramentas de alta precisão, como a ressonância magnética, mamografia digital, tomossíntese e biópsias guiadas. Na área laboratorial, a precisão diagnóstica aumentou significativamente com exames como a imunohistoquímica, que identifica com rigor os subtipos tumorais.
Em relação à cirurgia reconstrutiva, o médico ressaltou os avanços da oncoplastia. A realização da reconstrução mamária imediata no mesmo ato operatório é fundamental para minimizar o impacto psicológico da intervenção radical, evitando que a mulher desperte do procedimento cirúrgico com a sensação de mutilação.
Sobre as diretrizes de prevenção, o especialista reiterou as recomendações da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), que preconiza a realização da mamografia anual a partir dos 40 anos de idade. A mamografia regular, associada ao acompanhamento médico, reduz a mortalidade em cerca de 20% ou mais, segundo estimativas de estudos.
Informação que cuida
Além da palestra, a instituição organizou a campanha "Informação que cuida". A atividade foi pensada para integrar o público da unidade, unindo profissionais e pacientes em uma frente única de conscientização sobre o diagnóstico precoce. Realizada no dia 19 de outubro, na recepção central, a ação consistiu em momentos de tira-dúvidas conduzido por residentes do hospital.
Embora o Crer seja uma unidade com perfil assistencial focado na reabilitação e não ofereça tratamentos de alta complexidade oncológica, como a quimioterapia, a iniciativa demonstra o compromisso institucional com a saúde integral da mulher. As atividades do Outubro Rosa transcenderam o escopo rotineiro da unidade, transformando o ambiente terapêutico em um espaço aberto e acessível para orientações em saúde pública.
