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Autismo: Crer é referência no tratamento multiprofissional e promove socialização e autonomia de crianças e adolescentes com TEA


2 de abril de 2026
Créditos: Gabriela Tavares
Fotos: Gabriela Tavares



No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, hospital se destaca como referência com foco na independência e funcionalidade dos pacientes

Dificuldades na comunicação e interação social, complicações para frequentar ambientes públicos, comportamentos atípicos para a idade, inúmeras idas a médicos, diagnósticos equivocados e tratamentos insuficientes. Essas são as dores mais relatadas entre pais de crianças atípicas cujo diagnóstico ainda é desconhecido. Esses também eram os maiores desafios enfrentados por Núbia do Nascimento, mãe de Abner (9) e Caleb (10), até o ano de 2019, quando o mais velho foi encaminhado para o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). O que antes parecia impossível, como idas ao shopping, zoológico, restaurantes e fazenda, virou rotina de lazer, graças às terapias encaminhadas pela neurologista do Crer, Drª Aline Rodrigues, após a definição do diagnóstico do pequeno: Transtorno do Espectro Autista (TEA), nível 2 de suporte, e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Alguns anos depois, o mais novo também receberia o mesmo laudo.

Abril Azul é uma campanha mundial, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), que busca promover conhecimento sobre o TEA, conscientizar a população, combater preconceitos, defender direitos e aumentar a discussão acerca da necessidade de políticas públicas e suporte às pessoas autistas. O Dia Mundial da Conscientização do Autismo é celebrado em 2 de abril, uma data cujo objetivo é trazer o tema ao debate público e incentivar a criação de ambientes mais acolhedores e inclusivos para pessoas com TEA e suas famílias.

O diagnóstico do TEA é feito através da observação de algumas manifestações clínicas (conjunto de sinais ou sintomas demonstrados) que interferem de maneira significativa no jeito que a pessoa interage com o meio em que convive. De acordo com o Dr. Hélio Van der Linden Júnior, médico neurologista infantil do Crer, para se encaixar num quadro de autismo, a pessoa deve ter alguma alteração da cognição e comunicação social.

O autismo não tem uma causa definida, contudo, segundo o médico neurologista, em quase 90% dos casos existe um forte componente genético. É o que aconteceu com Luisa Pedrollo (7), filha de Acácio Pedrollo que, após identificar no questionário de triagem da filha traços do autismo compatíveis com ele, fez uma avaliação neurológica e descobriu que também compartilhava o TEA.

Contudo, mais urgente que fechar um diagnóstico ou identificar a causa, é promover a intervenção precoce. “Muitas vezes, quando vemos crianças com atraso do neurodesenvolvimento e não se tem uma certeza diagnóstica, o mais importante é encaminhar para a terapia. O diagnóstico será confirmado depois, ou não, mas o importante é não perder essa janela de oportunidade para uma intervenção”, pontua o neuropediatra. A intervenção precoce é um conjunto de medidas terapêuticas multidisciplinares aplicadas em crianças de até 6 anos de idade, período em que a neuroplasticidade cerebral é maior. É nessa fase que o cérebro da criança está fazendo milhares de conexões novas por dia e, com o estímulo precoce, é possível adquirir resultados muito mais eficazes do que pessoas que começam terapia mais tardiamente.

É o caso da pequena Louise Isabela Paiva (7), a terceira filha de Gleyciane Paiva, que chegou ao Crer com menos de 3 anos de idade. Antes de ser encaminhada à unidade, Louise não demonstrava habilidades de interação social e nem respondia aos chamados dos pais. A mãe cogitou a possibilidade de ser uma deficiência auditiva, posteriormente descartada, e chegou a ouvir de alguns profissionais que o problema estava nela, que se perturbava com algo que era normal e passageiro. Porém, persistente e observadora, Gleyciane conseguiu um encaminhamento ao neuropediatra do Crer, que fechou o diagnóstico da pequena em 5 meses. Após a avaliação global, os atendimentos começaram. “Eu até brincava para eles me darem a varinha mágica que estavam usando, porque eu já tinha tentado de tudo e nunca consegui o que eles tinham alcançado”. Hoje em dia, Louise é uma criança ativa, que brinca, conversa e faz amizades e, após as múltiplas terapias no Crer e continuidade da estimulação dentro de casa, ela passou do 2, para o nível 1 de suporte.

ABORDAGENS TERAPÊUTICAS
Terapia ocupacional, psicologia, fonoaudiologia, psicopedagogia, equoterapia, musicoterapia, arterapia e diferentes esportes são as intervenções ofertadas de forma gratuita pela unidade. Atualmente, são atendidos 231 pacientes, sendo a maioria na faixa etária dos 4 aos 10 anos. 

A jornada de cada paciente tem início na avaliação global com a triagem médica, em conjunto com a equipe multiprofissional. O paciente é então inserido em pelo menos uma terapia especializada, para receber uma avaliação específica de seu desenvolvimento. A partir daí, a equipe multidisciplinar traça um Projeto Terapêutico Singular (PTS), que propõe ações personalizadas para cada paciente. “O que muda no desfecho dos nossos pacientes é que temos um processo robusto, com etapas bem definidas, alinhamento constante entre todos da equipe e familiares, a exigência de participação dos pais nas capacitações e, principalmente, muito amor envolvido”, pontua Sofia Mustafé, supervisora da Clínica Intelectual.

A jornada e evolução de cada paciente é extremamente individual: inicialmente, é feita uma avaliação que verifica as potencialidades e lacunas do paciente. A partir daí, monta-se um programa de intervenção baseado nisso. “O que é interessante no Crer é que a terapia foca na funcionalidade, orientando e treinando os pais, para que eles possam implementar o que eles aprendem aqui dentro de casa e na vida cotidiana”, ressalta o neuropediatra Dr. Hélio van der Linden. 

As terapias ensinam o caminho das pedras, mas a maior parte da evolução acontece dentro de casa: o engajamento da família é fundamental para se observar melhoras nos quadros dos pacientes. Foi a partir dessa abordagem múltipla que Luisa, filha de Acacio, abandonou comportamentos de autolesão e crises intensas e passou a ter maior autonomia dentro e fora de casa. “Ela consegue fazer muita coisa sozinha, como se alimentar, andar, falar e interagir com outras crianças, graças ao Crer, mas eu sei que a base é a família, é dever nosso como pai estimular, não ficar só dependendo do terapeuta. Porque senão a criança não evolui.”

Para Núbia, mãe de Abner e Caleb, o mais importante é que seus filhos sejam independentes quando ela não estiver mais presente em vida, para que eles possam se virar sozinhos, terem autonomia e serem adultos funcionais. Gleyciane, mãe de Louise, reforça para outras famílias a importância de persistir: “Não diminua a sua criança, não é um laudo que deve limitá-la, ela tem potencial tanto quanto qualquer outra criança neurotípica”. Autonomia, independência e funcionalidade são as principais conquistas que os pais de crianças atípicas desejam para seus filhos e o Crer, como centro de referência que oferta diversas abordagens terapêuticas com efetividade comprovada, se consolida como um grande parceiro nesta luta.

Texto e fotos: Gabriela Tavares/Agir
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Assessoria de Comunicação e Marketing do Crer
Gabriela Tavares – (62) 99652-6633
comunicacao@crer.org.br | (62) 3232-8651



Paciente João Carlos Lima mostra um de seus desenhos produzidos durante as aulas de arterapia no Crer.jpg
Paciente Gabriel de Olinda participa de atividade coletiva durante sessão de arteterapia no Crer.jpg
Abril Azul é uma campanha mundial, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), que busca promover conhecimento sobre o TEA.jpg
Paciente Moisés dos Santos participa ativamente das aulas de arteterapia.jpg
Paciente Luisa Pedrollo durante a sessão de psicopedagogia com a psicóloga Maria de Fátima dos Anjos.jpg