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Abril Marrom: Crer destaca a importância da reabilitação para pacientes com deficiência visual


14 de abril de 2026
Créditos: Sofia Santiago
Fotos: Sofia Santiago



Além da prevenção à cegueira, a unidade reforça o papel das terapias na promoção da autonomia dos pacientes

Durante o mês de abril, a campanha Abril Marrom busca conscientizar a sociedade sobre a saúde ocular e o combate à cegueira. No Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, pacientes com deficiência visual contam com diferentes abordagens de cuidado, inclusive quando a recuperação da visão não é possível. Atualmente, a unidade atende cerca de 160 pacientes no serviço de reabilitação visual.

De acordo com o Censo 2022 do IBGE, entre as pessoas com deficiência no Brasil, a dificuldade mais frequente é a de enxergar, atingindo cerca de 7,9 milhões de brasileiros. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 80% dos casos de cegueira no mundo poderiam ser evitados, especialmente com acesso à informação, exames regulares e tratamento adequado.

Entre as principais causas de cegueira evitável estão a catarata, o glaucoma, os erros refratários, a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade. Muitas dessas doenças são silenciosas nas fases iniciais, o que reforça a importância das consultas oftalmológicas ao longo da vida, especialmente na infância.

As doenças oculares, no entanto, não são todas iguais. A oftalmologista do Crer, Isadora Melgaço, explica que a cegueira não se resume à ausência total de visão. “Existem diferentes perfis de pacientes, com perdas visuais distintas, como a visão periférica no glaucoma, alterações em parte do campo visual, como em acidentes vasculares encefálicos, ou comprometimento da visão central, como na degeneração macular relacionada à idade”, detalha.

A especialista ressalta ainda que, mesmo nos casos em que não há recuperação da visão, é possível promover adaptação e independência. “Os recursos vão desde auxílios ópticos, como lupas, até tecnologias assistivas, como leitores de tela e ferramentas de aumento de contraste”, afirma Isadora.

Para a paciente Rihanna Beatriz, de 10 anos, os ganhos da reabilitação visual são perceptíveis. “Beatriz tem uma malformação, que causou esotropia e estrabismo no olho esquerdo e, consequentemente, baixa visão. Antes da terapia, ela tinha muita dificuldade com coordenada visomotora e não identificava os objetos. Agora ela já consegue segurar as coisas e identificar melhor o espaço”, conta a mãe, Normeli Aparecida.

Doenças oculares e genética

Embora muitos casos possam ser tratados e até revertidos, há situações em que a perda da visão é progressiva e irreversível, exigindo um olhar voltado para a reabilitação e a promoção da autonomia. Doenças genéticas e hereditárias da retina, por exemplo, podem levar à perda visual progressiva, muitas vezes ainda na infância ou juventude.

É o caso de Murilo Leal Rezende, de 20 anos, diagnosticado com a Síndrome de Bardet-Biedl, uma condição genética rara que afeta diversos sistemas do corpo, incluindo a visão. O diagnóstico veio aos 17 anos, após um longo período de investigação.

Desde a infância, Murilo apresentava dificuldades visuais que, inicialmente, foram associadas ao transtorno do espectro autista, diagnosticado aos 2 anos. Com o tempo, os sinais se intensificaram, com quedas frequentes, dificuldade para ler e para se orientar em ambientes. Após passar por diferentes especialistas, o diagnóstico foi confirmado por meio de exame genético.

Atualmente, Murilo apresenta baixa visão e realiza acompanhamento contínuo com equipe multiprofissional do Crer. A mãe do jovem, Fernanda Leal, destaca os avanços proporcionados pelas terapias: “Com a estimulação visual, ele vem aprendendo a explorar melhor os resíduos visuais. Com o acompanhamento psicológico, está mais confiante e lidando melhor com a aceitação da sua condição, o que diminui o sofrimento diante da realidade que enfrenta.”

Apesar dos desafios, Murilo segue determinado. Estuda canto e teatro, mas ainda enfrenta dificuldades relacionadas à acessibilidade, especialmente no ambiente educacional. “Poucos lugares têm as adaptações necessárias”, relata a mãe.

No Crer, o cuidado vai além do acompanhamento oftalmológico. Os pacientes contam com um programa de reabilitação visual que inclui: treino funcional e de mobilidade, atividades de inclusão e quando necessário, acompanhamento psicológico. O terapeuta ocupacional Cristiano da Silva Melo explica: “Trabalhamos as Atividades de Vida Diária (AVDs) e Instrumentais (AIVDs), que incluem o uso de bengala, técnicas para deslocamento seguro, leitura com recursos de ampliação, alfabetização em Braille e o uso de tecnologias assistivas.”

Além disso, os pacientes recebem orientações personalizadas para o dia a dia, como o uso de marcas táteis em eletrodomésticos, contraste de cores na alimentação e organização fixa de objetos. “São estratégias que utilizam memória e referência espacial para promover mais autonomia”, completa Cristiano.

O Abril Marrom reforça que a prevenção continua sendo essencial para evitar a cegueira. Ao mesmo tempo, chama atenção para a importância de ampliar o olhar para os casos em que não há possibilidade de cura, garantindo cuidado, reabilitação e inclusão para pessoas com deficiência visual.



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No Crer, as terapias visuais buscam melhorar a qualidade de vida do paciente com qualquer grau de doença ocular.jpg