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AGIR


Agir promove Summit sobre saúde mental e os desafios para construir ambientes de trabalho mais saudáveis


4 de setembro de 2026
Créditos: Beatriz Cândida Mendes
Fotos: Anderson Fernandes e Sucom Unidades



Evento reuniu especialistas, gestores e profissionais de diferentes áreas para discutir sobre prevenção, segurança psicológica, liderança e estratégias para fortalecer a saúde mental nas organizações

A Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir) realizou, por meio do Núcleo de Saúde Mental, o Summit Saúde Mental Agir: Cultura do Cuidado que Transforma o Trabalho, que reuniu profissionais de diferentes áreas para discutir e promover reflexões sobre prevenção, relações humanas, liderança, autoconhecimento e construção de ambientes de trabalho mais saudáveis.  

A programação teve início com uma mesa de abertura que reuniu o superintendente executivo da Agir, Lucas Silva; a diretora corporativa de Recursos Humanos da Agir, Ana Karolina Barros; o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), Rafael Martinez; e a presidente do Conselho Regional de Psicologia – 9ª Região (CRP-09), Jéssica Amorim. A composição da mesa reforçou uma das principais mensagens do encontro: a promoção da saúde mental exige atuação integrada e participação de diferentes setores da sociedade. 

O Summit foi realizado nesta sexta-feira (04) de forma híbrida, presencialmente no auditório do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia, com transmissão ao vivo pelo canal da Agir no Youtube. Cerca de 300 pessoas participaram presencialmente e a transmissão teve mais de mil visualizações. 

Abertura Oficial  

Na abertura oficial, Lucas Silva propôs duas perguntas para orientar as reflexões do dia: “Quanto vale sua saúde mental?” e “Como está sua saúde mental?”. Para o superintendente, o cuidado começa pelo olhar para si, mas também envolve a responsabilidade com as pessoas que estão ao redor. “Se temos responsabilidade com nós mesmos, com quem está à nossa volta. Que possamos sair daqui com as provocações corretas que gerem ação, conhecer um pouco mais a nós mesmos e promover uma cultura de saúde mental”, destacou o superintendente executivo. 

A diretora corporativa de Recursos Humanos da Agir, Ana Karolina Barros, destacou a atuação da Agir na área e informou que o Núcleo de Saúde Mental, através de programas como o Dialoga Mais, já contabilizou mais de 17 mil atendimentos, evidenciando a dimensão das ações voltadas ao cuidado dos trabalhadores da instituição. 

Representando a categoria médica, Rafael Martinez ressaltou que, apesar dos avanços da psiquiatria, o estigma relacionado à saúde mental ainda permanece. O presidente do Cremego também apresentou a iniciativa “Cuidar de quem cuida”, criada para acolher profissionais da medicina e oferecer encaminhamento na área de saúde mental. “Deveríamos ter esse tipo de evento mais vezes ao ano, para acabar com esse estigma”, afirmou Martinez, ao parabenizar a Agir pela realização do evento e colocou o Cremego à disposição para ações voltadas ao cuidado dos profissionais. 

Jéssica Amorim destacou que a discussão sobre saúde mental não deve ficar restrita a momentos específicos, mas fazer parte do cotidiano das organizações. Para a profissional, o cuidado também passa pela capacidade de reconhecer os próprios limites e buscar ajuda quando necessário. “Muitas das vezes nós negligenciamos nossa saúde mental. Temos dificuldade em descansar, em procurar ajuda terapêutica. Se você estiver adoecido, você não consegue cuidar do outro de uma maneira adequada”, afirmou. 

A presidente do CRP-09 ainda ressaltou a importância da integração entre diferentes profissionais e gestores. Conforme Jéssica Amorim, a saúde mental não pode ser compreendida apenas como uma questão individual. “Saúde mental não se faz a nível individual. Estamos inseridos na sociedade e, para que a saúde mental seja efetiva, precisa ser construída por várias mãos.” 

Saúde Mental como Estratégia  

A palestra magna do Summit foi ministrada pelo superintendente de Gestão e Planejamento da Agir, Dante Garcia, que aproximou saúde mental e estratégia organizacional com o tema “Saúde Mental como Estratégia: O Cuidado que Transforma Pessoas e Organizações”. A reflexão central foi de que não é possível pensar em resultados sustentáveis sem compreender as pessoas que fazem parte das organizações. “Se não entendemos de pessoas, não entendemos de estratégia”, destacou Dante. 

Ao abordar o papel das instituições na promoção da saúde mental, o superintendente de Gestão e Planejamento apresentou cinco dimensões que devem integrar essa agenda, que são a estratégia, liderança, organização do trabalho, formação de cultura e prevenção. 

O gestor também chamou atenção para um fenômeno muitas vezes menos visível no ambiente profissional, que é o presenteísmo. Trata-se da situação em que o trabalhador está fisicamente presente, mas apresenta redução da capacidade de concentração e desempenho em razão de questões que afetam sua saúde mental. “Uma presença física e ausência cognitiva. O corpo está presente e a mente em colapso”, ressaltou Dante. 

Para o palestrante, o cuidado precisa ser incorporado à estratégia das organizações e não tratado como uma ação isolada. Nesse sentido, valores e relações humanas passam a ter papel central na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis. 

Conexões que Salvam: Setembro Amarelo 

A programação seguiu com a mesa redonda “Conexões que salvam: Setembro Amarelo”, mediada pela coordenadora de Saúde Mental e Cultura Organizacional da Agir, Cristiane Soto, que propôs ampliar a discussão para além do momento do autoextermínio. “Nossa mesa hoje vai muito além. É falar sobre essa lacuna antes. Vamos falar sobre proteção e prevenção em saúde mental”, afirmou. 

Entre as participantes esteve a psicóloga Katiuscia Soares, que destacou a importância do autoconhecimento e da educação emocional desde a infância. Para ela, reconhecer o sofrimento e compreender como cada pessoa lida com ele são passos importantes para o cuidado. “Todos nós sofremos e o que a gente faz com esse sofrimento é a diferença”, ressaltou. 

A profissional também chamou atenção para o significado que o trabalho ocupa na vida das pessoas e para a necessidade de refletir sobre relações, vínculos e propósito. “O trabalho nos constitui enquanto sujeitos. Pensar se esse trabalho que realizamos no dia a dia tem significado é um alerta para revermos. Devemos pensar sobre o trabalho, sobre os vínculos e as relações”, finalizou Katiuscia Soares.  

Já a psicóloga Ana Cláudia Carvalho trouxe para o debate os impactos das redes sociais e das transformações contemporâneas nas relações. Ao abordar a exposição permanente proporcionada pelo ambiente digital, destacou a necessidade de compreender que aquilo que é apresentado nas redes não representa a totalidade da vida de uma pessoa. “A internet é uma vitrine e é preciso entender que não posso comparar com a minha totalidade”, reforçou. 

Ana Cláudia também defendeu a importância da pausa em uma sociedade que frequentemente associa valor pessoal à produtividade. Para a profissional, reconhecer limites e pedir ajuda também são formas de cuidado, ao contar um caso pessoal de burnout. “A diferença é que soube o que fazer, que é pedir ajuda.” 

Saúde Mental no Trabalho 

A relação entre saúde mental e gestão empresarial foi aprofundada na palestra “Saúde Mental no Trabalho: O Poder das Relações Saudáveis”, conduzida pelo diretor presidente da Medquímica - Conquer in Company, Alexandre França. 

Ao discutir o papel das organizações, o gestor destacou que as pessoas representam o principal ativo de uma empresa e questionou a qualidade das relações estabelecidas no cotidiano. “Em qualquer empresa o maior ativo que se pode ter são as pessoas. Quando se pergunta ‘tudo bem?’, é realmente sincero ou automático?”, provocou Alexandre. 

No contexto da saúde, o questionamento ganha uma dimensão ainda maior, visto que profissionais responsáveis por cuidar diariamente de milhares de pessoas também precisam ser cuidados. “O grande desafio é: uma organização de saúde que pode cuidar de milhares de pessoas todos os dias, mas quem cuida da saúde de quem faz isso acontecer?”, questionou. 

O palestrante também abordou a relação entre autoconhecimento e liderança, apresentando o dado de que 86% dos líderes acreditam que tomariam melhores decisões se tivessem mais autoconhecimento. A discussão foi relacionada a fatores como absenteísmo, retenção de talentos, produtividade, clima organizacional, segurança nas decisões e capacidade de inovação. 

Para Alexandre França, a promoção da saúde mental no trabalho deve estar baseada em três frentes: prevenção, proteção e promoção. Isso envolve reconhecer sinais, criar condições adequadas, combater preconceitos e agir de maneira proativa. “O cuidado e suporte de saúde mental precisa ter um protocolo formal, além de indicadores de proteção à saúde mental. Liderar também é inspirar equilíbrio emocional e, para isso, é importante o autoconhecimento”, ressaltou o palestrante. 

Construindo o Futuro do Trabalho 

Encerrando a programação, a psicóloga e CEO da empresa Neuro Consultoria, Júlia Nonato conduziu a palestra “Cuidado, Prevenção e Saúde Mental: Construindo o Futuro do Trabalho”, propondo uma reflexão sobre como as organizações podem se preparar no presente para responder aos desafios do futuro. 

A especialista apresentou conceitos e tendências relacionados às transformações no mundo do trabalho, incluindo referências ao Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, e aos conceitos de FOMO (Fear of Missing Out), que é o sentimento de medo de estar de fora; e o FOBO (Fear of Becoming Obsolete), o medo de se tornar obsoleto o trabalho. 

Entre os pontos destacados, a psicóloga reforçou a importância da escuta, da segurança para falar sem medo de retaliação, da sensibilidade social e da abertura ao erro. “Só falo se não tenho medo de retaliação”, destacou Júlia ao abordar a necessidade de ambientes de trabalho nos quais as pessoas tenham espaço para se expressar. 

A programação do Summit Saúde Mental Agir reforçou, assim, que construir uma cultura de cuidado envolve mais do que oferecer ações pontuais de bem-estar. Exige incorporar a saúde mental à estratégia, à liderança, às relações e à própria organização do trabalho. 

Ao reunir profissionais da saúde, psicologia, gestão e recursos humanos, a Agir reafirma seu compromisso com a prevenção e promoção da saúde mental e reforça a importância de transformar a cultura do cuidado em uma prática cotidiana. 



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